O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação da pesquisa eleitoral da AtlasIntel registrada sob o número BR-06939/2026. A decisão liminar foi tomada após representação apresentada pelo Partido Liberal, que questionou a metodologia utilizada no levantamento divulgado em maio deste ano.
Segundo a decisão, a controvérsia não se resume a divergências metodológicas comuns entre institutos de pesquisa, mas envolve a suspeita de que o questionário aplicado possa ter influenciado as respostas dos entrevistados. O ministro destacou que há alegações objetivas de utilização de perguntas formuladas de maneira potencialmente indutiva, especialmente pela sequência em que foram apresentadas e pelo uso de expressões com carga valorativa negativa.
O levantamento havia apontado uma queda nas intenções de voto do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. A pesquisa foi realizada após a divulgação de áudios envolvendo o parlamentar e o empresário Daniel Vorcaro, tema que também integrou parte do questionário aplicado aos entrevistados.
Na decisão, Nunes Marques afirmou que os elementos apresentados nos autos reforçam “indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada”. O magistrado também observou que outras 27 pesquisas registradas anteriormente pela própria AtlasIntel não utilizaram procedimentos semelhantes, como a veiculação de material audiovisual ou perguntas com conteúdo comparável ao questionado no processo.
O pedido do PL sustentou que determinadas perguntas associavam o nome de Flávio Bolsonaro a termos de forte conotação negativa, o que poderia influenciar a percepção dos entrevistados e comprometer a neutralidade do levantamento. Para o partido, a pesquisa teria extrapolado o objetivo de medir a opinião pública e passado a interferir na formação dessa opinião.
Ao conceder a liminar, o presidente do TSE determinou que a AtlasIntel se abstenha de promover nova divulgação, impulsionamento, republicação ou manutenção da pesquisa em seus canais oficiais até nova deliberação da Corte. O instituto também foi intimado a apresentar documentação técnica complementar para demonstrar a regularidade dos procedimentos adotados. O Ministério Público Eleitoral deverá se manifestar sobre o caso.
A decisão ainda será submetida ao plenário do TSE, que deverá analisar se mantém ou revoga a medida cautelar. O julgamento está previsto para ocorrer em sessão da Corte Eleitoral, quando os ministros irão avaliar de forma colegiada os argumentos apresentados pelas partes e os elementos técnicos relacionados à pesquisa.
O caso reacende o debate sobre os limites metodológicos das pesquisas eleitorais e os mecanismos de fiscalização adotados pela Justiça Eleitoral para garantir a transparência, a confiabilidade dos levantamentos e a preservação da igualdade de condições entre os participantes do processo eleitoral.









































































