A organização criminosa responsável pelo esquema de adulteração de combustíveis no Espírito Santo, descoberto pela Polícia Federal, era comandada da prisão por um homem apontado pela polícia como um dos milicianos mais famosos do Rio de Janeiro.
Denilson Silva Pessanha, mais conhecido como “Maninho do Posto” ou “Barão do Petróleo”, está preso desde 2020. Na ocasião, ele foi detido na Praia da Costa, em Vila Velha, e depois transferido para o Rio.
O suspeito já foi vereador na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e teria fugido para o Espírito Santo, por ser procurado no Rio de Janeiro por furtar combustível de dutos da Petrobras.
De acordo com as investigações da Polícia Federal, mesmo preso, o Barão do Petróleo continuava chefiando a quadrilha suspeita de adulterar combustíveis no Espírito Santo.
Segundo o superintendente da PF no Estado, delegado Eugênio Ricas, alguns postos investigados foram colocados no nome de terceiros, mas, na verdade, eram geridos por Denilson Pessanha.
“Com ele, tinham outras pessoas, inclusive familiares, que cuidavam dessa organização criminosa. Parte dessa organização era composta por laranjas, pessoas que sabiam que o nome era utilizado para gerir os postos de combustíveis”, frisou.
Oito postos na Grande Vitória vendiam gasolina adulterada
Ao todo, oito postos de combustíveis da Grande Vitória — a maioria em Cariacica — são investigados por receber e vender gasolina adulterada para a população. Eles foram alvo da Operação Naftalina, deflagrada pela Polícia Federal, em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Receita Federal.

“O material transportado era um solvente chamado nafta e álcool hidratado. Tudo indica que a organização misturava o álcool com a nafta e colocava corante para parecer gasolina. Mas, na verdade, não se tratava de gasolina. É um produto adulterado que pode danificar os carros e prejudicar os consumidores”, explicou Eugênio Ricas.
O perito da Polícia Federal, Sérgio Cibreiros, explicou como os criminosos faziam a combinação irregular. “Eles pegavam esse solvente utilizado em empresas para fazer tíner, querosene e outros solventes usados em empresas de tinta. Eles pegavam esse solvente e misturavam com álcool hidratado”, explicou.
Criminosos lucraram R$ 38 milhões com as fraudes
Ainda de acordo com as investigações, os criminosos teriam lucrado cerca de R$ 38 milhões com o esquema fraudulento. Se considerados culpados pela Justiça, os envolvidos no esquema podem pegar até 41 anos de prisão.
Durante a operação desta terça-feira, foram presos suspeitos de integrarem a organização criminosa no Espírito Santo, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Até agora, foram expedidos nove mandados de prisão preventiva, seis de temporária e 27 de busca e apreensão.
Segundo a polícia, um pátio clandestino em Vila Velha era utilizado pela quadrilha como estacionamento para caminhões-tanque. Além disso, os suspeitos adulteravam a gasolina no local para depois revender para os postos.









































































