O antigo Cine Atlas, na esquina da Travessa Cecília Agostinho – mais conhecida hoje como praça dos camelôs – está passando por uma nova transformação. Em dezembro de 2018, o site ocontestado.com publicou matéria informando que o local tinha se transformado em depósito de mercadorias e barracas dos camelôs que trabalham nas proximidades. Agora, o mantenedor do local, Edésio Dematté, com anuência da família, está transformando o espaço do antigo salão em várias lojas, na Travessa Cecília Agostinho. É uma das maiores reformas feitas no prédio há décadas, inclusive com renovação da pintura.
Na parte do prédio que faz frente para a avenida Jones dos Santos Neves, o espaço no térreo foi transformado em loja há anos e, segundo Edésio, agora, com apoio da família, estão sendo montadas pelo menos cinco novas lojas para aluguel.
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Salão do antigo Cine Atlas no centro virou depósito de mercadoria de camelôs
As máquinas de exibição dos filmes também continuam no local, mas no primeiro andar, encobertas por panos, mas bem empoeiradas. Até o escritório do antigo Cine Atlas continua intacto e guarda fotos do patriarca da família Dematté, o empresário João Dematté, que comprou o imóvel do empresário Ranulfo Ximenes e, depois, importou um cinema completo de um empresário de Muqui, no sul do estado.
O acervo é mantido por um dos herdeiros, Edésio Dematté. “As máquinas estão em perfeito estado e tenho até alguns filmes aqui, mas não há como voltar a exibir os filmes neste local”, conta Edésio, salientando que hoje nem existem mais ou custam muito caro as lanternas de arco voltaico (carvão), que eram utilizadas para as projeções.
As máquinas de carvão foram desativadas ainda na década de 80, quando outro filho do senhor João Dematté, Vital Geraldo Dematté, que ficou conhecido como o Neném do Cinema, reduziu o tamanho do salão e passou a fazer exibições com projetores digitais.
Neném, no entanto, era mais famoso pelo Bar Terezense, tradição da família. Até os anos 2000, O bar do cinema, como era conhecido, tinha frequentadores cativos, como o servidor do Legislativo Municipal, Elcimar Alves de Souza e o bancário aposentado José Tauffner. “Enquanto o Neném esteve com o bar aberto, nós íamos lá quase todos os dias. Às vezes o José Tauffner, que chegou a ser eleito o homem mais feio da cidade, sentava de frente para a rua e colocava o pé na porta para não deixar o Neném fechar o estabelecimento”, conta Elcimar.
Neném do Cinema ficou famoso não só pela exibição de filmes, mas também pelos tira gostos do Bar Terezense onde os amantes de uma boa aguardente e cerveja gelada se fartavam com os petiscos. Hoje, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ele vive em casa e ainda tem dificuldades de locomoção e de fala, mas os olhos brilham e o sorriso aparece quando conversamos com sobre os tempos do bar e do cinema. Ele não consegue contar, mas percebe-se pelo olhar e pelos gestos que sua emoção ao falar do local é muito grande. (Weber Andrade)











































































