O Bosque da Memória às Vítimas da Covid-19, criado no Parque Natural Municipal Sombra da Tarde (PMNST), para homenagear as mais de 200 vítimas da Covid-19 em Barra de São Francisco, desde o início da pandemia, vai ser inaugurado oficialmente nesta terça-feira, 21, Dia da Árvore.
O prefeito Enivaldo dos Anjos (PSD) anunciou a novidade há pouco mais de dez dias e incumbiu a secretária municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento sustentável (Semmas), Lislei Batista, de providenciar a criação do bosque.
Parte das árvores plantadas no local serão provenientes de outra ação municipal em prol do meio ambiente, que entrega a todas as famílias com crianças nascidas no município, uma muda de árvore nativa, que deverá ser plantada para a formação do Bosque da Memória às Vítimas da Covid-19.
“(É para marcar) a vitória dos francisquenses gerados durante a pandemia e que, ao nascerem, já conquistaram sua primeira grande vitória em meio ao panorama de morte da pandemia de Covid”. destaca o prefeito.
Foram homenageadas 117 crianças em solenidade na Câmara dos Vereadores.
Desde maio de 2020, Barra de São Francisco, que tem 45 mil habitantes, já perdeu 219 pessoas para a Covid. Por isso, serão plantadas 219 árvores no bosque, começando na solenidade agendada para o dia 21 pelo chefe do Executivo.
“Cada árvore receberá uma placa com o nome de uma das vítimas da Covid. Vamos identificar na comunidade artesãos que trabalham em pedra e fazer essas placas em refugos de granito, que hoje é um dos sustentáculos de nossa economia”, disse Enivaldo.
LEGADO
Com isso, o prefeito deseja, segundo disse, deixar um legado para as gerações futuras e, ao mesmo tempo, não deixar cair no esquecimento aqueles que se foram. “No bosque, que será próximo à antiga cachoeira do Tulim, as pessoas poderão ajudar a cuidar das árvores e reverenciar a memória de seus queridos. No futuro, quando não estivermos mais aqui, queremos que as novas gerações mantenham essa tradição e, assim, pouco a pouco, vamos recuperando o que perdemos, além de manter a lembrança de quem construiu a cidade”, disse Enivaldo.
Da mesma forma que terá o bosque da memória – que continuará crescendo, conforme a ideia do prefeito com o plantio de uma árvore pela família de cada pessoa que morrer no município, independente da pandemia – Barra de São Francisco terá também o bosque da vida.
“Já começamos a distribuir as mudas de árvores nativas para os pais que tiveram filhos nascidos na pandemia. A ideia é que, ao longo de sua existência, essas crianças sejam levadas para ajudarem a cuidar da árvore que simboliza a vida delas. Existe um estudo científico (revista Science, julho 2019) que diz que precisaríamos plantar 1,2 trilhão de árvores para controlar o aquecimento global. Temos que começar o movimento com a primeira árvore e nós vamos fazer nossa parte. Um pequeno gesto que, se for espalhado pelo planeta, poderá representar muito”, disse Enivaldo.
O raciocínio do prefeito faz sentido. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), nascem 180 pessoas por minuto no mundo, e morrem 102. Se a ideia dele fosse adotada, seriam plantadas 406.080 árvores por dia e 148 milhões por ano, em todo o planeta. Ou seja, em 10 anos seria plantadas 1,480 bilhão de novas árvores. Um estudo de 2015 da Universidade de Yale, e publicado pela revista científica Nature, dá conta de que, enquanto 15 bilhões de árvores são removidas por ano, apenas 5 bilhões são plantadas.
Uma solenidade na última quinta-feira, 26, na Câmara de Vereadores, marcou o início da campanha, quando o prefeito, ao lado da secretária de Meio Ambiente, Lisley Batista, entregou as mudas de árvores para as crianças nascidas entre janeiro e março de 2021 no município.

Sobre o PMNST
O Parque Sombra da Tarde ((PNMST), que terá o bosque da memória, foi inaugurado em dezembro de 1999, com a presença do ministro do meio ambiente Sarney Filho e do então governador José Ignácio Ferreira. O parque ocupa uma área de 158 mil metros quadrados, que era toda degradada e deverá ser ampliado na atual gestão, utilizando a área hoje ocupada pela Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Cesan. Saiba mais abaixo:
Área do “Pinicão” será incorporada ao Parque Natural Municipal Sombra da Tarde
Hoje, o parque é uma reserva de Mata Atlântica, tendo catalogada a presença de 33 diferentes espécies de formigas, tamanduá, jaguatirica, diversas espécies de cobras e pássaros. É rico em flora e fauna, tendo em seu interior 2.200 metros de trilha, servido de água potável e tem um salão de 40 metros quadrados dedicado a palestras ambientais.
É um monumento ao que havia no passado. Município criado a partir da migração de capixabas, fluminenses e mineiros, Barra de São Francisco, assim como todo o Norte capixaba, é um exemplo dos danos ambientais provocados pelo homem. Seu território era quase todo coberto por florestas nativas há 100 anos, mas hoje o que se tem é 54,5% de seu território tomado por pastagens onde antes era mata, e apenas 10,8% de remanescente da mata atlântica.
Os dados constam do Atlas Florestal Mata Atlântica elaborado pela Secretaria de Estado de Meio-Ambiente e Recursos Hídricos (Seamma) em conjunto com o Instituto Jones dos Santos Neves, com levantamentos de dados feitos, por último, em 2015. Outros 11% do território de Barra de São Francisco são ocupados por macegas ou floresta em regeneração. O café, que já foi apontado como grande vilão desse desmatamento, ocupa apenas 6,9% do território.
Os dados demonstram que a situação da cobertura florestal no município do Noroeste é bem pior do que a média estadual. De acordo com o mesmo estudo, no âmbito geral a mata nativa aumentou 0,6% nesse início de milênio no Espírito Santo, passando de 15,3% para 15,9% do território de 46.095 mil quilômetros quadrados do território capixaba. Foram mais 27.179,5 hectares, ou o equivalente a 27 mil campos de futebol no tamanho oficial de 120 x 90 metros. As pastagens representam 39,2% do nosso território. (Da Redação com José Caldas da Costa)












































































