
O atentado a duas escolas de Aracruz, que deixou três professoras e uma estudante mortas, completou um mês neste domingo (25). Na tragédia, em que um adolescente de 16 anos entrou nas duas instituições atirando, outras 12 pessoas ficaram feridas e precisaram ser socorridas.
O ataque aconteceu na manhã de 25 de novembro, na Escola da Rede estadual EEEFM Primo Bitti e na escola particular, Centro Educacional Praia de Coqueiral (CEPC). Os ataques foram realizados pelo adolescente, que estava armado com uma pistola .40 e um revólver 38, que pertencia ao próprio pai, que é policial militar.
Cronologia dos fatos
O primeiro alvo do atirador foi a Escola da Rede Estadual Primo Bitti.

Em seguida, ele foi para uma escola particular, o Centro Educacional Praia de Coqueiral (CEPC).

O adolescente, que confessou o crime, não teve o nome divulgado por ser menor de idade. No momento do ataque, ele usava roupa camuflada, uma máscara de caveira e um bracelete com o símbolo nazista.
O suspeito chegou ao local a bordo de carro no modelo Renault Duster, cor dourada e com as placas cobertas. Na escola estadual, ele atirou contra professoras. Três morreram.
Em seguida, ele entrou no carro e se dirigiu para a escola particular, onde entrou correndo e efetuou diversos disparos. Uma adolescente de apenas 12 anos morreu.
Veja o momento da invasão:
Criminoso era ex-aluno
O secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo, explicou que o adolescente estudou na Escola Estadual Primo Bitti até junho deste ano, quando foi transferido para outra escola. O nome da unidade não foi informado.
“Fizemos uma análise rápida. Não estou preocupado com desempenho de nota. Minha preocupação é saber, por exemplo, se ele era aluno especial. Isso poderia indicar alguma situação. Ele não era. E depois se havia na ficha alguma anotação de conflito, também não havia nada. Não há nada além do registro escolar”, disse.
O atirador disse em depoimento à Polícia Civil que se preparou para os ataques com base em vídeos disponíveis no Youtube. Para o delegado-geral da Polícia Civil do Estado, José Darcy Arruda, o adolescente pode realmente ter aprendido a manusear as armas com base em vídeos, mas existe também a possibilidade de ele ter recebido instruções de maneira presencial, o que será investigado.
“O adolescente disse em depoimento que aprendeu pelo YouTube, mas ele pode ter aprendido de forma presencial ou virtual”, confirmou Arruda.
A prisão
A prisão do adolescente aconteceu no mesmo município e no mesmo dia do crime, 25 de novembro. Ele foi encaminhado à Delegacia Regional de Aracruz, onde chegou acompanhado da mãe. Veja:
O julgamento
No dia 7 de dezembro, o atirador foi julgado pela Vara da Infância e Juventude do município. A decisão informou que o menor cumprirá medida socioeducativa com o prazo máximo de 3 anos, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Segundo o juiz, apesar do adolescente não cumprir pena, já que é considerado inimputável pela lei brasileira, ele passará por avaliação semestral, como uma forma de acompanhá-lo de perto.
Além disso, o magistrado determinou que sejam feitas avaliações psiquiátricas para avaliar a periculosidade do atirador. Se ao final dos três anos de internação ficar comprovado que ele, por questões mentais, representa risco à sociedade, poderá ser internado em uma espécie de manicômio, como aconteceu no caso “Champinha”, em São Paulo.
“A maior tragédia que nossa cidade já viu”, disse prefeito
No dia da tragédia, o prefeito de Aracruz, Dr. Coutinho, falou com a reportagem do Folha Vitória diretamente de uma das escolas alvo do atentado.

“Estava em meu gabinete, na Prefeitura, por volta das 10h da manhã, quando me disseram o que tinha ocorrido É a maior tragédia que nossa cidade já viu; a cidade toda está chocada. Na escola estadual, todas as vítimas são professores. Uma tristeza. Já estamos recebendo reforços na segurança, as aulas ficam suspensas até segunda-feira”, disse o prefeito.
Vítimas que morreram no atentado

– Maria da Penha Pereira de Melo Banhos, de 48 anos;
– Cybelle Passos Bezerra Lara, de 45 anos;
– Selena Sagrillo Zucoloto, de 12 anos;
– Flávia Amboss Merçon Leonardo, de 36 anos.
Sobreviventes da tragédia
Degina Rodolfo de Oliveira Fernandes, 37 anos

Degina Rodolfo de Oliveira Fernandes, de 37 anos, é uma verdadeira sobrevivente. A professora de Inglês foi alvo de cinco tiros durante o ataque. A professora ficou internada por 22 dias no hospital Jayme dos Santos Neves, e recebeu alta no dia 16 de dezembro.
Mãe de três filhos — gêmeos de 7 anos e um bebê de apenas 9 meses — a professora contou que as coisas simples a alegram após a volta para casa, como sentir o cheiro do bebê.
“Foi emocionante, meus filhos me abraçaram, o bebê sorriu para mim. Não consigo pegar o bebê no colo por causa do braço, mas vê-lo, poder cheirar ele já me deixa feliz”, disse.
Sandra Guimarães, 58 anos

Aristênia Torres, 51 anos, e Thais Pessotti da Silva, 14 anos
No dia 14 de dezembro, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que o estado de saúde da professora Aristênia Torres, de 51 anos, era estável, e que ela estava na enfermaria.
No último boletim divulgado Sesa, em 16 de dezembro, foi informado que, a pedido da paciente, o estado de saúde dela não fosse mais divulgado, portanto, não há outros detalhes.
Baleada na cabeça, a estudante Thais Pessotti da Silva, de 14 anos, chegou a ficar em uma UTI e segue internada em uma unidade particular. Não há outros detalhes sobre o estado de saúde da vítima.

FolhaVitoria











































































