
Criado em 1896, por Francisco Hilário da Silva, que estava prestes a se tornar padre, o Centro Espírita Senhor dos Passos surgiu após o seu criador ter saído de Diamantina (MG), onde morava, e ido até Bom Jesus do Itabapoana, dar uma espécie de susto em uma comunidade espírita que estava crescendo por lá, pois era aonde parte de sua família que morava.
“Pediram a ele para dar um susto no pessoal ali, e ele foi e deu uns tiros para cima lá, e assim, o susto, serviriam para espalhar o pessoal, e acabar com a comunidade espírita que estava se formando lá. Foi o que ele fez. Só que ele teve uma espécie de surto e desapareceu por vários dias., ninguém sabia aonde ele estava. Foi aí que ele apareceu na casa de um familiar ali, desorientado, e com a roupa toda rasgada”, conta Braz Velloso Pianassoli, 29 anos, tesoureiro do centro e tataraneto de Francisco Hilário.
Depois do episódio, Francisco Hilário foi levado para o Rio de janeiro, e esteve com Bezerra de Menezes, considerado um grande líder espiritual do País, e que teria identificado a mediunidade em Francisco, dando-lhe nova missão: a de criar um centro espiritual.
Desta maneira surgiu o Centro Espírita Senhor dos Passos, que rompeu com a Federação Espírita Brasileira, justamente porque, seu fundador trazia em suas origens, o catolicismo, afinal, ele estava prestes a se tornar padre quando tudo isso aconteceu.
O primeiro centro foi erguido em Laje de Muriaé (RJ), distrito de Itaperuna, e depois transferido para Bom Jesus do Itabapoana, na divisa do Rio de Janeiro e Espírito Santo, e chegando em Nova Venécia em 1956, se tornando a maior obra Espírita do Espírito Santo.

O centro realiza novenas, cânticos de ladainhas, sacramento de batizado, terço, rosário, procissão, via sacra na Semana Santa e Devoção a uma santa católica. Já às quartas, quintas e sábados, são realizados os passes, conforme o Evangelho espírita, codificado por Allan Kardec.
Por Francisco Hilário, a filha Alexina foi preparada para a sua sucessão, o que levou o descontentamento do primogênito entre os filhos, o “Tio Dico”, que um dia, sem ninguém saber, levou todos os pertences e manuscritos do centro, e abriu um novo centro espírita no Rio de janeiro, por volta da década de 1920, antes de Francisco Hilário morrer. Após sua morte, em 1926, Alexina assumiu a mediunidade do centro, e aí que surgiu a figura lendária do seu marido, Agostinho Batista Velloso. “Enquanto o católico Agostinho cuidava da herança deixada por Francisco Hilário, Alexina dedica-se totalmente à obra espírita”, fala Braz.
E foi assim, o sincretismo entre catolicismo e espiritismo, foi o que se deu naquilo que se tornaria a marca da história Festa do Velloso.
Após Alexina, Agneu, Lorenço e agora, a Maria Helena Velloso Poeys, mais conhecida como Conceição, assumiram os cargos de chefes-médiuns do centro.

tem 108 anos e ainda vive na fazenda Veloso
Viagem para Nova Venécia
Em 1956, 14 famílias que aderiram ao centro, mudaram-se para a Barra do Córrego da Peneira, todos liderados por Agostinho Velloso, e, no mesmo ano, aconteceu a primeira festa realizada no território veneciano.
Na viagem família Furtado e Oliveira eram uma das que estavam presentes, que ainda veio, dona Philomena, ainda viva e com 108 anos, e foi casada com seu Eraclides José de Oliveira.
A Fazenda Velloso iniciou com 200 alqueires de terra e chegou a 600, dedicada inicialmente à extração de madeira para serrarias de Colatina, e depois, criação de gado. “Começou a chegar gente de todo país e de todo mundo, para tratamento espiritual com a médium Alexina, cerca de 60 pessoas por semana, e a família precisou aumentar o centro, pois a hospedagem e alimentação sempre foi ofertada de graça pela fazenda, e cada visitante permanecendo cerca de nove dias, que é o tempo do tratamento espiritual, de depressão e alcoolismo ofertado. Já temos mais de 60 mil pessoas catalogados, que já passaram pelo centro de tratamento”, conta o tataraneto.
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» Lourenço Veloso deixou legado e assumiu a missão de médium-chefe do centro até a sua morte, há cerca de dois anos -

» Dona Conceição é a médium, atual
responsável pelo Centro Espírita Senhor dos Passos
Em 1958 a prefeitura construiu uma escola na fazenda, e Agneu Aquino tornou-se professor dela.
A médium Alexina morreu em 1976 e seu Agostinho, em 1980, no dia 03 de julho, de infarto. Já a festa, chegou a atrais mais de 13 mil pessoas em um dia só, e tudo começa sempre ás 5h da manhã e vai até a noite. Na comida, cerca de 6 mil pessoas almoçam e tomam café da tarde, tudo de graça.
A história do seu Francisco Hilário saiu lá de Diamantina, passou pelo Rio de janeiro, e hoje está fincada aqui em Nova Venécia, e segundo dados da família, a descendência do criador do centro chega a mais de 600 descendentes, indo até a quinta geração. Alexina e Agostinho Velloso tiveram 14 filhos. “É uma história grandiosa, um legado grande, um local de fé, devoção e um olhar diferenciado ao próximo”, finaliza Braz.

Braz Veloso Pianassoli, tataraneto de seu Francisco Hilário
Festa do Veloso
A tradicional Festa do Veloso, que leva multidão para o interior veneciano todos os anos, não nasceu aqui. Em 1950, Braz conta que, uma grande peste se alastrou na região na Fazenda Sesmaria, em Bom Jesus do Itabapoana, local onde estava o centro espírita, também comandado na época por Alexina. “Estava morrendo os animais e plantações e ela fez uma promessa a Nossa Senhora das Graças que, se a peste acabasse, seria feito uma festa anualmente, com distribuição de comida para quem quisesse participar, com data marcada para a chegada da data da santa que ela encomendaria, devido à graça alcançada. E a praga acabou, sendo a promessa, cumprida”, narra.
Foi então, que a Santa chegou, encomendada pela família, no trem em Itaperuna, sendo levada no carro de boi até a propriedade familiar, em Bom Jesus do Itabapoana, em 02 de julho de 1950, sendo servido café pra todos que aguardavam a imagem, dando início assim, à grandiosa festa religiosa que permanece até hoje. “Todos os anos, dia 02 de julho, a festa é realizada, independente do dia da semana”, fala.


Dados da Festa do Veloso
De acordo com a organização, cerca de 6 mil pessoas passaram pelo evento ano passado. “Para a produção do almoço e do lanche da tarde, foram utilizados 900 quilos de carne assada para churrasco, 120 quilos de carne de porco, 90 quilos de calabresa, 360 quilos de trigo, 150 quilos de açúcar, 15 quilos de manteiga, 30 dúzias de ovos, 60 quilos de farinha de mandioca, 100 quilos de feijão, 150 quilos de arroz, 200 quilos de tomate, 40 quilos de pimentão, quilos de pepino, 15 quilos de café moído e 400 litros de leite.












































































