(FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, evitou informar até mesmo aliados próximos sobre o tratamento de radioterapia iniciado após a retirada de um câncer de pele no couro cabeludo. Parte de integrantes do círculo pessoal do petista afirmou ter descoberto pela imprensa que ele passaria pelas sessões preventivas.
Segundo relatos ouvidos pela Folha sob condição de anonimato, Lula chegou a comentar recentemente que faria um tratamento relacionado ao câncer, mas sem detalhar que seria submetido à radioterapia.
O presidente retirou, em 24 de abril, um câncer basocelular, considerado o tipo menos agressivo e mais comum de câncer de pele. Desde então, médicos já avaliavam a possibilidade de um tratamento complementar.
A decisão pela radioterapia foi confirmada após uma avaliação clínica realizada em 18 de maio. Na ocasião, o boletim médico informou que a recuperação ocorria dentro do esperado e sem intercorrências.
Os médicos recomendaram as sessões de radioterapia como medida preventiva, mas a definição sobre quando o tratamento começaria ficou a cargo do presidente.
Segundo auxiliares, Lula optou por iniciar as sessões imediatamente. A primeira aconteceu na segunda-feira (26), após decisão tomada no fim de semana, o que surpreendeu até colaboradores próximos.
Ainda de acordo com relatos, foi o próprio presidente quem determinou que a informação fosse divulgada, apesar de haver recomendações contrárias dentro do governo.
Lula passará por 15 sessões de radioterapia ao longo das próximas três semanas. Nesta terça-feira (27), realizou a segunda aplicação e, em seguida, embarcou para Manaus para cumprir agenda política.
O Palácio do Planalto informou que os boletins médicos são de responsabilidade da equipe que acompanha o presidente.
Segundo médicos ouvidos pela reportagem, o tratamento adotado é considerado leve e não deve impedir Lula de manter a rotina de trabalho.
A radioterapia utilizada nesse tipo de caso consiste em aplicar feixes de elétrons diretamente na região tratada. As sessões duram poucos minutos e os efeitos colaterais costumam ser localizados, como irritação na pele, vermelhidão e queda temporária de cabelo.
Nos últimos anos, Lula tem buscado transmitir imagem de disposição física ao eleitorado. O presidente costuma divulgar exercícios físicos nas redes sociais e frequentemente aparece caminhando ou correndo em eventos públicos.
O tema da saúde presidencial, porém, já gerou desconforto dentro do governo em outras ocasiões.
Em 2023, por exemplo, o Planalto só informou após a cirurgia no quadril que Lula também havia realizado um procedimento nas pálpebras durante a internação.
Em fevereiro deste ano, uma cauterização feita no couro cabeludo só foi esclarecida após fotógrafos registrarem uma mancha na cabeça do presidente durante um evento oficial.
Já em abril, o governo informou previamente que Lula passaria por novos procedimentos médicos, mas a confirmação de que se tratava de um câncer veio apenas depois.
O próprio presidente já admitiu publicamente preocupação em não transmitir fragilidade.
“Se eu operasse logo depois das eleições, diriam que o Lula estava velho e já internado”, afirmou em 2023, após cirurgia no quadril.
Aliados relatam que Lula segue trabalhando normalmente e mantém boa disposição nas reuniões e compromissos oficiais. Desde a cirurgia, ele tem usado chapéu em aparições públicas para proteger a área operada da exposição ao sol.










































































