O presidente da 5ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), saiu em defesa da categoria, na manhã deste sábado, 23, confrontando as declarações do secretário de estado da Justiça, Luiz Carlos Luz, que apontou a suspeita de que alguns advogados estariam fazendo a “ponte” entre os criminosos dentro e fora do presídio.
A declaração do secretário acontece logo após a prisão de dois dos sete suspeitos de ataques a ônibus e a uma empresa de marmitas na Grande Vitória. A Polícia Civil agora investiga se a ordem para os crimes partiu de dentro dos presídios.
“Isso é feito através de visita com familiares, visita íntimas e através de visitas com advogados. Infelizmente, temos advogados que utilizam da carteira da OAB para servir como pombos-correios levando e trazendo informações”, disse o secretário.
Como parte dessa investigação, por volta de meio-dia desta sexta-feira, 22, o detento Carlos Alberto Furtado, o Beto, chegou para prestar depoimento na delegacia Patrimonial.
Ele estava escoltado por um forte esquema de segurança. Beto comandava o tráfico no bairro da Penha e, segundo a polícia, está preso há 11 anos. Durante o depoimento, a delegacia ficou fechada. Duas horas depois, Beto voltou para a cadeia.
Em sua nota de repúdio, Scheffer afirma que o ataque à advocacia é “uma tentativa desesperada de justificar um misto simbólico de falência na implementação de políticas de segurança pública e na administração carcerária do estado…”
“O secretário desqualificou toda a classe, criando um ambiente de desconfiança social para com os profissionais da advocacia – essenciais à administração da Justiça”, lamenta o advogado.
Finalizando a nota, Scheffer salienta que “condutas profissionais incompatíveis, devem ser investigadas e punidas com o rigor da lei, sendo inadmissível o linchamento de toda uma classe, que exige respeito”. (Veja a íntegra da nota no final da matéria)

Investigação – Além da Polícia Civil, a Secretaria de Justiça também abriu uma investigação interna. O secretário Luiz Carlos Cruz admitiu que há comunicação entre os presos e traficantes que comandam grupos criminosos. O secretário falou da participação de parentes e até de advogados.
“Estamos identificando muita movimentação de advogados para alguns presos, que são presos que têm uma importância estratégica no crime organizado no Espírito Santo. Existe, sim, comunicação entre os líderes com seu grupo criminoso aqui do lado de fora”, disse.
Segundo ele, uma força-tarefa foi criada com o Poder Judiciário, Ministério Público, na esfera estadual e federal, Defensoria Pública e OAB, para buscar soluções e evitar que presos continuem participando dos delitos.
Ataques – O ataque à empresa de marmitas aconteceu no domingo (17). Além de atirar contra a sede e tentar atear fogo ao local, os criminosos ainda deixaram um bilhete, fazendo ameaças: “Se não melhorar a alimentação dos presídios vai ter vítima fatal”.
Já o ataque a um ônibus do sistema Transcol aconteceu na noite de quarta-feira, 20, na ES-010, em Nova Almeida. Nessa ocasião, também foi deixado um bilhete. Nele, os criminosos reclamavam das condições de tratamento dos detentos nos presídios. (Weber Andrade com Secom/ES e G1 Espírito Santo)













































































