
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Novidade na lista da seleção brasileira de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo, o goleiro Weverton diz que vive o ápice da carreira aos 38 anos. O arqueiro vai para a sua segunda edição de Mundial, uma vez que jogou o torneio em 2022.
“O goleiro atinge o ápice dele depois dos 30, tem a maturidade para suportar qualquer coisa. Se pegar um jovem e uma pessoa de 60 anos, eles vão tomar decisões diferentes. O mesmo acontece com o jogador de futebol. Um goleiro com 30 anos já experimentou muitas coisas boas e ruins. Ele ainda tem vigor físico, se cuida mais, se dedica e colhe os frutos. Vivo o meu melhor momento com um todo hoje: atleta, homem, pai, marido… Todas essas coisas estão no mesmo pacote”, disse o jogador em entrevista coletiva.
Na visão do goleiro, uma série de fatores se alinharam nos últimos dias para que o chamado viesse. Entre elas estão as atuações de destaque nos últimos jogos do Grêmio.
“As coisas têm de se alinhar no futebol, nos últimos dias elas foram se alinhando a meu favor. Foram grandes jogos, defesas que me ajudaram a chegar a essa reta final com chance de ir à Copa. Quando vem a pré-convocação você começa a sonhar de outra maneira, vê uma chance real. A última semana, depois de bons jogos, criei expectativa. Vida de goleiro não é fácil, tem que estar todos os dias trabalhando e repetindo as mesmas coisas. Estou muito feliz, tudo se alinhou a meu favor”, afirma Weverton.
Aos 38 anos, Weverton superou “rivais” mais jovens e ganhou a preferência pela experiência, segundo Carlo Ancelotti. Ele se vê útil de muitas maneiras para a seleção.
“Existem várias maneiras de você ser útil. Copa é um campeonato curto, rápido e que nem todo mundo vai jogar. Todo mundo é importante. Você pode não jogar, mas quando você treina no seu melhor nível você ajuda quem vai jogar. Eu, treinando bem, posso motivar os batedores para conseguirem o gol, eles vão treinar no mais alto nível.
No vestiário, posso ajudar alguém que está de cabeça baixa, erguer a moral. Esse é o papel de quem é mais experiente. Já joguei uma Copa e sei. Vivi um clima quando fomos eliminados que eu nunca mais quero viver, carrego isso comigo”, diz o goleiro.
FALA MARCANTE DE NEYMAR
Weverton foi campeão olímpico ao lado de Neymar nas Olimpíadas do Rio, em 2016. nesta terça-feira (19), 10 anos depois, ele compartilhou detalhes da conversa no vestiário antes da final contra a Alemanha. A fala mais marcante, para ele, foi a do camisa 10.
“O que ele falou no dia da final olímpica eu nunca vou esquecer. Ele dizia que em 2012 ele tinha sido prata e ele tinha a segunda chance de tornar aquele sonho possível. Ele queria que ninguém precisasse de uma segunda chance, que aquela fosse a única para todo mundo e que fosse o momento de conquistar o ouro que faltava para nós. Aquilo me marcou muito”, afirma Weverton.
O goleiro levou a mensagem e quer usá-la neste Copa do Mundo. Ele citou a presença de diversos nomes que devem fazer sua última participação em Mundiais neste ano.
“Para essa geração e acho que para muito gente, será a última Copa. Danilo, Alex Sandro, Marquinhos… É a última chance. Essa vai ser a chance da minha vida e de muita gente. Nunca mais teremos essa oportunidade. Esse é o meu pensamento”, diz.
O QUE MAIS ELE DISSE?
Festa pela convocação
“Nem sei o que aconteceu nesta segunda-feira (18). Tive um pequeno desmaio, acho. Já vi as imagens várias vezes e já agradeci o livramento do meu irmão não ter esmagado a minha cabeça. Não tinha melhor forma de expressar o que era aquele momento.”
Crença no próprio trabalho
“Óbvio que quando cheguei aqui sempre acreditei no meu potencial. É normal que às vezes as pessoas queiram tentar decidir o seu futuro, aquilo que você é ou o que já se encerrou. O bom da vida é poder se superar e mostrar a sua capacidade com trabalho, luta, renuncia e sacrifício. Coloquei a mão no meu bolso e achei meus comprimidos de suplemente que tomo e pensei: ‘talvez vocês tenham me ajudado’. É preciso pagar um grande preço, um sacrifício. Sou muito grato à minha família e não posse de deixar de agradecer o esforço que o Grêmio fez para me contratar, à torcida como me abraçou e me tratou desde que cheguei.”
Histórico na seleção
“A minha primeira convocação foi em 2016, faz 10 anos que vou para a seleção. Não me recordo se fiquei um ano inteiro sem ser convocado, fui com o Dorival no ano passado. O meu histórico, o meu caráter e profissionalismo… O Ancelotti não viu, mas deve ter ouvido das pessoas. Deve estar seguro da escolha que fez e quero honrar ela, a confiança que ele me deu. São 11 jogos pela seleção, campeão olímpico, 55 convocações. Acho que tudo isso me dá essa oportunidade.”
Neymar
“Falar da qualidade do Neymar é perder tempo, é indiscutível o grande jogador e pessoa que ele é. Quem acompanha futebol pôde ver o esforço e a dedicação que ele fez para representar o país dele. Talvez possamos ver uma versão dele que gostamos de ver: motivado e que pode nos ajudar muito, um homem feliz e de bem consigo mesmo. Ele pode dar uma resposta muito boa e nos ajudar. Todo brasileiro que ama o futebol e o país vai torcer para ele estar no melhor nível possível assim como os outros jogadores.”
Disputa aberta pela titularidade
“O Bento, o Hugo, o John que não tiveram neste primeiro momento, não é que eles não mereçam, são escolhas com base no que o treinador entende que é melhor para a equipe. Dedico tempo estudando os outros goleiros e acho que se o Ancelotti e o Taffarel nos escolheram é porque entendem que estamos prontos e aptos para servirmos a seleção. A disputa é muito boa para todos. Quanto mais disputa, mais vai se exigir o alto nível. A disputa é necessária em qualquer fase da nossa vida. Chicote vai estralar, vamos dar o máximo todos os dias. Quem joga não joga só por si, mas por todos.”
Desafio é maior por ser surpresa?
“Encaro isso com naturalidade, faz parte. É cultural as pessoas enxergarem dessa maneira, não julgo elas. Para mim, só mostra o tamanho do feito de Deus na minha vida. Quando ninguém espera, ninguém acha, vem muito mais por aí. É gratidão.”
Contestações
“Entendo muito o torcedor. Assisto muito futebol e às vezes até eu fico chateado vendo jogos. É normal que xinguem, vaiem e fiquem descontentes. Se não fosse isso, não era paixão, amor. O lado bom de ser experiente é que você tem tranquilidade nessas horas, sabe quem é. Não é porque fui convocado que vou virar outros. Eu sou o mesmo.”
Grêmio fundamental
“O Grêmio foi fundamental. Foi uma decisão muito importante que eu tinha de tomar. Tenho muita coragem para tomar decisões, de pegar a minha família e sair de um lugar onde já estava adaptado. Foi uma atitude corajosa e porque eu vi o quanto o Grêmio me queria aqui. Vivemos nesta terça-feira (19) o fruto do trabalho de muitas pessoas, é o resultado de algumas decisões que tomamos e que valeram a pena.”
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