Não se sabe ainda se a pandemia do coronavírus teve influência decisiva nos números da dengue no Espírito Santo este ano. Apesar das chuvas – que facilitam a proliferação do mosquito – terem caído com mais frequência em 2020, houve uma redução de mais de 40% no número de casos da doença, comparando os boletins de setembro de 2019 e setembro deste ano.
Uma semana antes do início da primavera do ano passado, o boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) registrava 72.729 casos de dengue em 58 municípios capixabas e confirmados 37 óbitos, um deles em Barra de São Francisco.
Já no último dia 22, exatamente no início da Primavera, o Boletim Epidemiológico 38, mostra que, de janeiro até agora foram notificados 43.378 casos suspeitos de dengue no Espírito Santo com incidência de 1.079,42 casos por 100 mil habitantes e 11 óbitos, ou seja, 29.351 casos e 26 mortes a menos do que no ano anterior.
Para se ter uma ideia da diferença, em Barra de São Francisco, em junho do ano passado a dengue atingiu média de 701,8 casos notificados (suspeitos) por 100 mil habitantes. Este ano, o número de notificações não passou de 10 casos suspeitos por 100 mil habitantes.
Mesmo com o resultado tão baixo, a Secretaria Municipal de Saúde, através da Vigilância Sanitária (VS), vem mantendo algumas medidas de controle do mosquito Aedes aegypti, vetor da doença, como a aplicação de inseticida através do “fumacê”.
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O Ministério da Saúde considera três níveis de incidência acumulada das quatro últimas semanas dos casos de dengue: baixa (menos de 100 casos/100 mil habitantes), média (de 100 a 300 casos/100 mil habitantes) e alta (mais de 300 casos/100 mil habitantes). A taxa de incidência é um importante indicador de alerta e ajuda a orientar as ações de combate à dengue.
A Semus e a Sesa, no entanto, alertam para o fato que com o início da Primavera, é comum que os dias fiquem com temperaturas mais elevadas e com chuvas recorrentes, aumentando o alerta para as ações de controle do mosquito.
Responsável pela transmissão da dengue, zika e chikungunya, o vetor deposita seus ovos em recipientes com água parada. Dessa forma, é importante que toda população esteja atenta aos possíveis criadouros do mosquito como: tampa de garrafa, pneus, pratinhos de plantas, caixas d’água não vedadas, vasilha de água e comida de animais, entre outros objetos que possam acumular água.
O chefe do Núcleo Especial de Vigilância Ambiental, Roberto Laperriere Júnior, reforça que a prevenção para evitar a proliferação do inseto deve ser realizada durante o ano inteiro.
“Os cuidados para eliminação dos focos do mosquito devem ser colocados em prática durante todos os meses do ano. Assim, buscamos evitar que o número de casos notificados dessas doenças seja elevado no verão”, destacou.
O ciclo de vida do mosquito é dividido em quatro etapas: ovo, larva, pupa (estágio intermediário entre a larva e o adulto) e adulto. A fêmea do mosquito deposita seus ovos nas bordas dos recipientes com água limpa e parada. Dois ou três dias após o contato com o líquido, os ovos viram larvas e dias depois chegam na fase da pupa. Esse ciclo dura cerca de 48 horas e, ao término, se transformam em mosquitos adultos. (Weber Andrade com Secom/ES)











































































