Viajar é bom, todo mundo sabe.
Mas viajar e, além de conhecer a cidade, mergulhar em sua história, cultura e descobrir pessoas icônicas… isso é para poucos. E eu tive esse privilégio! Por isso, decidi compartilhar essa experiência com vocês.
Neste final de semana, estive na charmosa cidade de Conselheiro Pena, localizada no interior de Minas Gerais, mais precisamente na região do Vale do Rio Doce.
Com uma área de 1.483,88 km² — sendo apenas 3,2 km² em perímetro urbano —, Conselheiro Pena abriga cerca de 20.824 habitantes, segundo o Censo Demográfico de 2022 do IBGE. Embora tenha registrado uma queda populacional de 6,38% em relação ao censo de 2010, a cidade continua viva e encantadora.
O relevo montanhoso, típico da região, emoldura paisagens deslumbrantes. Entre os destaques naturais estão o Parque Estadual de Sete Salões, uma rica reserva de Mata Atlântica, com trilhas, grutas, cachoeiras e montanhas. E é claro, não poderia deixar de mencionar a famosa Rampa da Bela Adormecida, um ponto que encanta não só pela vista, mas também pela lenda que carrega.
O que muitos não sabem é que, apesar de seu tamanho modesto, Conselheiro Pena é berço de grandes talentos — do futebol à música, passando por figuras marcantes da história local. E é sobre essas pessoas que vou contar um pouco mais…

João Batista Sales, o eterno Fio Maravilha
Nascido em 19 de janeiro de 1945, Fio Maravilha começou sua trajetória no futebol justamente em Conselheiro Pena, sua terra natal. Com apenas 15 anos, deu um passo gigantesco na carreira ao se transferir para o Flamengo, onde não só brilhou, como também conquistou títulos importantes — como os Campeonatos Cariocas de 1965 e 1972.
O apelido “Fio Maravilha” surgiu após um gol inesquecível contra o Benfica. Naquele lance, ele driblou o goleiro e marcou um gol tão bonito que parecia que a bola entrou sozinha. Esse momento foi eternizado na música de Jorge Ben Jor, que deu ainda mais brilho à sua história.
Além do Flamengo, Fio também defendeu outros clubes no Brasil e nos Estados Unidos. Mas foi no rubro-negro carioca que ele virou ídolo — até hoje, é lembrado com carinho pela torcida, e sua trajetória se mistura com a própria cultura brasileira.
Quando cheguei à cidade, logo me contaram: “Aqui é a terra do Fio Maravilha.”
E como bom flamenguista roxo, é claro que fui direto ao Estádio Municipal, que leva o nome do craque. Não perdi a chance de tirar uma foto ao lado da sua imagem, que está estampada por toda a extensão do muro. Um momento marcante e emocionante, daqueles que só o futebol (e as viagens) proporcionam.


Luiz Fernando Mendes Ferreira, o eterno Fernando Mendes
Nascido em 7 de maio de 1950, em Conselheiro Pena, Fernando Mendes é um nome marcante da música popular brasileira. Cantor e compositor, ele se destacou nacionalmente na década de 1970, principalmente com a canção “Cadeira de Rodas”, que vendeu mais de um milhão de cópias e foi tocada exaustivamente nas rádios de todo o país.
Reconhecido como um dos grandes representantes da música brega — um gênero que toca direto no coração —, Fernando Mendes construiu uma carreira sólida e uma legião de admiradores. Suas canções embalaram histórias de amor, dor, saudade e esperança em lares por todo o Brasil.
Recentemente, o artista foi diagnosticado com Alzheimer, o que o afastou dos palcos e da vida pública. Ainda assim, sua obra continua viva na memória e no coração de muitos.
Durante minha passagem por Conselheiro Pena, tive um momento especial: jantando em um restaurante no centro da cidade, tive o privilégio de estar no mesmo ambiente que Fernando Mendes.
Por respeito à sua saúde e ao momento íntimo com seus familiares, optei por não pedir uma foto. Mas estar tão próximo de uma figura tão icônica, cuja música marcou tantas vidas, foi uma honra que não esquecerei tão cedo.
ouça

Zezinho Pescador — o homem, o rio e as histórias
Seu Zezinho tem 88 anos e é uma verdadeira lenda viva de Conselheiro Pena. Nascido e criado às margens do Rio Doce, ele é conhecido por todos na cidade como pescador experiente e contador de causos — daqueles que fazem a gente rir, refletir e se encantar.
Tive o privilégio de conhecê-lo enquanto caminhava sobre as pedras do Rio Doce. Um rio que, mesmo após sobreviver à tragédia de Mariana, segue firme, exibindo sua beleza a quem se dispõe a parar, olhar e respeitar.
Segundo Seu Zezinho, já são 72 anos dedicados à pesca. Ele é viúvo há apenas cinco meses e, atualmente, vive com a filha, ainda às margens do rio onde cresceu e construiu sua história. Passa boa parte dos seus dias rodeado de amigos e relembrando o passado — com muitas risadas e histórias que desafiam a imaginação. Entre uma conversa e outra, garantiu que belíssimos dourados ainda podem ser pescados por ali.
Ah, e não é só a cidade que conhece Seu Zezinho. Recentemente, ele foi entrevistado no PODRECAST #02, ganhando o título carinhoso de “o homem mais mentiroso do Brasil” — uma homenagem bem-humorada ao seu talento natural de contar histórias com aquele exagero típico de quem viveu muito… e bem.
veja:

Rampa da Bela Adormecida — onde o céu encontra a paz
A Rampa da Bela Adormecida é um dos pontos mais encantadores de Conselheiro Pena, conhecida tanto pela sua beleza natural quanto pela prática de voo livre, que atrai aventureiros de várias regiões.
A história do local se entrelaça com a própria origem do município, que começou a se formar no século XVIII, com a chegada de desbravadores em busca de ouro. O desenvolvimento ganhou força com a construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas, que ajudou a conectar a região ao restante do estado e do país.
A rampa está situada no alto do Pico da Bela Adormecida, batizado assim por conta de sua silhueta, que lembra a figura de uma mulher deitada quando vista à distância. O local possui três áreas de decolagem e oferece uma vista panorâmica espetacular do Vale do Rio Doce, sendo parada obrigatória para praticantes de voo livre, fotógrafos, amantes da natureza e até estudiosos de plantas raras, já que a região abriga espécies únicas da flora brasileira.
Mais do que um ponto turístico, a Rampa da Bela Adormecida é um lugar de conexão com a natureza. Um refúgio para esquecer os problemas, respirar fundo e contemplar o mundo de cima — em paz.
E, para fechar com chave de ouro…
Não posso encerrar esse relato sem mencionar um dos momentos mais especiais da viagem: o pôr do sol às margens do Rio Doce.
Foi ali, em silêncio, olhando o céu se pintar de laranja sobre as águas tranquilas, que percebi a beleza de estar presente. De viver uma cidade não só com os olhos, mas com o coração.
Se você chegou até aqui, obrigado por me acompanhar nessa jornada por Conselheiro Pena. Uma cidade que prova que, mesmo nos lugares mais simples, vivem histórias que merecem ser contadas — e vividas.

Abaixo, compartilho algumas fotos que tirei e guardarei com muito carinho.
São registros de uma cidade que, além de acolhedora, é — como já diz a música — bonita por natureza. Que essas imagens transmitam um pouco da paz, beleza e emoção que vivi em Conselheiro Pena.
Por Pablo Silva Fernandes/SiteOcontesado




























































































Fernando Mendes é o máximo. Só não conheço Zezinho Pescador