Elas lideraram movimentos na política, e a primeira mulher a assumir a vereança e presidência do legislativo veneciano, dona Ignêz Bonomo Boldrini , conta aqui um pouco de sua história. A reportagem traz outras mulheres que também conquistaram cadeira através do voto no município
Em todo dia 8 de março, as mulheres acordam com uma certeza: receberão algum mimo, geralmente flores; ouvirão algum discurso sobre terem força combinada com delicadeza e, provavelmente, alguma piada sobre tarefas domésticas ou outra bem sem graça, em um machismo que acham que é velado, sobre mulher na direção; nada mais esdrúxulo e primata.
Mas o Dia Internacional da Mulher é celebrado mundialmente como um marco na luta por direitos humanos. A data nasceu de uma série de manifestações de mulheres por melhores condições de trabalho no século 20, e é utilizada para gerar reflexão sobre o longo caminho percorrido na trilha da igualdade entre homens e mulheres.
Para abordar a data, A Notícia traz hoje um pouco da história de mulheres que assumiram cargo de vereadora na Câmara Municipal de Nova Venécia.
Lembrando que, as mulheres só conquistaram direito de voto no Brasil em 1932, e atualmente, compõem 53% do eleitorado brasileiro, porém, somam 34% apenas das candidaturas. Hoje, o legislativo veneciano tem apenas uma mulher na vereança, que sozinha, legisla com mais 12 homens vereadores.
Uma mulher além do tempo
A primeira mulher a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Nova Venécia e única presidente do legislativo veneciano até hoje, foi a vereadora Ignêz Bonomo Boldrini, eleita para assumir o mandato durante a 9ª Legislatura, de 01 de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1992.
Moradora há mais de 50 anos do bairro Bonfim, Ignêz é veneciana, nasceu e morou na Fazenda Concórdia, chegando ao perímetro urbano veneciano ainda solteira, quando veio para a rua Colatina com o irmão. “Meu pai nunca me deixou estudar, eu queria demais. Tive que aprender tudo sozinha, eu sempre li muito, sempre gostei de estar atualizada, talvez isso tenha feito a diferença”, diz.
Tendo estudado apenas até o 5° ano, dona Ignêz fez história e foi além de seu tempo. Foi secretária Municipal de Saúde por duas, vezes, assumiu também a Secretaria de Ação Social e na comunidade do Bonfim, tem seu nome cravado quando o assunto é progresso da localidade e trabalho social realizado ao próximo. “Costumo dizer que, tudo “cai aqui em casa” (risos), e, eu gosto disso. Sempre trabalhei e vivi pensando no ser humano, no bem daquele que está ao meu lado, ou que esteja longe de mim, mas que precisa de amparo. Para mim, este é um dos sentidos da vida. Vou fazer isso enquanto estiver aqui nesse mundo”, fala.
A primeira vereadora e única mulher presidente da Câmara Municipal de Nova Venécia tem sete filhos, cinco netos, e um bisneto, família que constituiu com o esposo, o seu Wandyr Boldrini (In memória), e mora ainda no bairro que ela ajudou a construir, no Bonfim. “Já fui muito útil para Nova Venécia, para a população e, agradeço a Deus por ter essa oportunidade, por ter me dado saúde e vontade de trabalhar, sempre olhando o ser humano de forma especial”, conta.

de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1992
Única mulher no parlamento veneciano na atualidade
Mayara Eller, professora, atleta, árbitra, foi secretária Municipal de Esportes, e antes, foi servidora pública na mesma Secretaria. Foi a única mulher eleita na Câmara Municipal de Nova Venécia nesta legislatura, 2021 a 2024. Somando 508 votos, pelo Partido Republicanos, Mayara tem curso superior em Licenciatura e Bacharelado em Educação Física, é pós-graduada e sempre foi engajada no desenvolvimento esportivo. A vereadora e professora de Educação Física foi coordenadora e professora de projetos esportivos sociais, de ginástica da terceira idade, coordenadora do projeto de futebol categoria de base em competições como Copa A Gazetinha, Copa Guri Estadual e Nacional, e ainda, coordenadora e organizadora de eventos em diversas modalidades esportivas. Mayara é filha de Ilza Maria Moraes Eller e Manuel Castro Minino (Manula), e moradora do bairro Beira Rio.
“Vejo ser necessário cada vez mais reconhecer a importância da mulher na sociedade e sua incessante luta pelos seus direitos, além de incentivar a participação efetiva da mulher. A história das mulheres, infelizmente, esteve marcada pela submissão, bem como. pela violência, seja física, psicológica, moral. Um exemplo histórico de vitória feminina foi a Lei Federal n.º 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha, que criou mecanismos de proteção à mulher, contra a violência doméstica. O nome da lei foi em homenagem à farmacêutica que sofreu violência do marido durante anos. Assim como a Lei Maria da Penha, inúmeras leis foram e são criadas para resguardar, proteger, entre outros, a classe feminina, no entanto, a participação precisa ser maior, com o intuito de não só criar políticas públicas, mas também cobrar a efetividade e aperfeiçoamento das mesmas. Estamos no ano de 2023, mas até hoje nos deparamos com o preconceito, a desvalorização e o desrespeito, e por isso, precisamos buscar cada vez mais a participação feminina, pois já representamos a maior parte do eleitorado e precisamos, nós mesmas, reconhecer a força que possuímos. Particularmente, tenho consciência da responsabilidade e peso que é ser a única mulher a representar a classe feminina na Câmara Municipal de Nova Venécia, mas busco atuar com clareza, firmeza, convicção e sempre na luta pelos direitos das mulheres. Certamente, precisamos pensar no ontem, no hoje e no amanhã e fazer uma reflexão: se nós mulheres representamos a maioria dos eleitores do País, por qual razão temos tão poucas mulheres na política como um todo? Acredito que, quando a mulher refletir e entender a importância da sua participação efetiva na vida pública, certamente teremos uma maior representatividade, capaz de angariar maiores benefícios e direitos para a classe”.

Primeira mulher a votar no ES
Foi na pequena cidade de Guaçuí, ainda distrito de Alegre, no Sul do Espírito Santo, que a luta pela emancipação feminina encontrou sua maior representante no Estado.
Aos 55 anos, a empresária Emiliana Emery Viana conquistava na Justiça o direito ao voto. Em uma sentença histórica, ela se tornava a primeira mulher capixaba a obter um título de eleitor, em 1929.
A história de Emiliana foi noticiada nos jornais de todo país. Ela era a terceira brasileira a obter o direito de votar. Naquela época, a Constituição não proibia mulheres de irem às urnas, mas também não assegurava a elas este direito. Para se tornar eleitor, era preciso que os cidadãos solicitassem o alistamento eleitoral na Justiça, assim fez ela.
Emiliana nasceu em 1874, durante o Império brasileiro, um período marcado pela submissão e opressão feminina. Ela casou-se nova, aos 13 anos e teve sete filhos. Aos 20, porém, ficou viúva, e para sustentar a família, começou a trabalhar fora.
Mesmo com todas as dificuldades, Emiliana empreendeu, e abriu uma padaria na cidade, sendo pioneira no empreendedorismo feminino no município.
Lá na frente, ela se tornou empresária ao abrir um hotel, e, percebendo a falta de alfaiates em Guaçuí, foi a primeira mulher a atuar na profissão.
Emiliana era filha de chefe político e irmã de Geraldo Viana, que posteriormente se tornou deputado. Em entrevistas, costumava frisar a importância do Estado democrático. “Eu gosto de eleições, elas me dão uma sensação fora do comum. E quanto mais luta, melhor”, disse ao Jornal O Cruzeiro, em 1950.
O sufrágio (direito de votar) feminino já tinha sido aprovado em outros países, mas no Brasil, o direito ao voto ainda fazia parte das demandas das mulheres. Em 1929, Emiliana se tornou a terceira mulher brasileira e primeira capixaba a conquistar, na Justiça, o título de eleitora.
A conquista deu força aos movimentos feministas da época. Três anos depois, a legislação brasileira passou a assegurar o voto feminino. O Código Eleitoral de 1932, elaborado por Getúlio Vargas, dava o direito de votar a “todos os cidadãos maiores de 21 anos, sem distinção de sexo”. Um marco na luta das mulheres, que finalmente se tornavam cidadãs pela lei.

Primeira mulher a votar no Brasil
Celina Guimarães Viana, nascida em Natal, 15 de novembro de 1890, faleceu em Belo Horizonte, 11 de julho de 1972, foi uma professora brasileira e primeira eleitora de que se tem registro oficial no Brasil, ao votar em 5 de abril de 1928, na cidade de Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte.
Era filha de José Eustáquio de Amorim Guimarães e Eliza de Amorim Guimarães. Estudou na Escola Normal de Natal, onde concluiu o curso de formação de professores. Foi nessa mesma escola que conheceu Elyseu de Oliveira Viana, um jovem estudante vindo de Pirpirituba, com quem se casou em dezembro de 1911 e foi seu companheiro para toda a vida.
Em 1912, foi para Acari, e em 13 de janeiro de 1914 mudou-se para Mossoró, onde aceitou o convite do diretor de Instrução Pública do Estado para assumir a cadeira infantil do Grupo Escolar 30 de Setembro.

Voto feminino no mundo
O primeiro país democrático a reconhecer o direito ao sufrágio feminino (direito de voto) foi a Nova Zelândia, no ano de 1893. Esse direito somente foi reconhecido após uma intensa luta liderada pela feminista neozelandesa Kate Sheppard. Seguindo o caminho de Sheppard e da conquista das mulheres neozelandesas, iniciou-se um intenso movimento pelo sufrágio feminino na Inglaterra no ano de 1897, que, após radical intensificação e anos de luta, conquistou o direito ao voto feminino no ano de 1918. A partir daí, mulheres de todo o mundo passaram a reivindicar o seu direito ao voto em seus países.
Entre a década de 1890 e 1994, mulheres da maioria dos Estados adquiriram o direito de votar e se candidatar a um cargo público. Ainda assim, tempo e espaço são duas variáveis que se diferem muito quando tratamos dessa conquista. Na África do Sul somente em 1993 e na Arábia Saudita em 2011, as mulheres tiveram o direito de voto.

Voto feminino em Nova Venécia
Infelizmente, a reportagem não conseguiu resgatar a identidade da primeira mulher a votar em Nova Venécia, tendo o Cartório Eleitoral informado que não há registros sobre o fato, inexistente também, de acordo com o Cartório, no Tribunal Regional Eleitoral, por motivo de possível incineração, após o prazo legal de guarda, pois todo conteúdo era em papel, e não como na atualidade, que é informatizado.
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Ignêz Bonomo Boldrini (1989/1992) -

Risonete Maria Oliveira (2001-2004) -

Marlene Gonçalves
(2013/2016)
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Gleyciária Bergamim
(2013-2016/ 2017-2020) -

Sol do Ônibus
(Fevereiro a abril de 2022) -

Mayara Eller
(2021-2024)














































































