Após o Governo do Espírito Santo autorizar a retomada de aulas presenciais em municípios classificados como risco moderado para a Covid-19, o secretário estadual de Educação, Vitor de Angelo, justificou a mudança afirmando que o funcionamento das escolas não tem um grande impacto para o aumento da contaminação pelo coronavírus.
Antes da decisão, as escolas nos municípios desse grupo estavam proibidas de abrir, sendo autorizadas apenas as atividades remotas. Considerando a classificação mais recente do mapa de risco, a restrição atingia Vitória, Cariacica, Viana, Barra de São Francisco e Ecoporanga.
Em Barra de São Francisco, desde a autorização do reinício das aulas presenciais, menos de 20% dos estudantes estão frequentando as escolas. Pais e alunos ouvidos pelo site ocontestado.com, disseram preferir que seus filhos continuem estudando em casa, embora alguns reconheçam que o nível de aprendizado tem sido prejudicado.
“Eu não vou deixar minha filha ir pra escola. Sei que ela se cuida, mas não tenho como tomar conta dos colegas, adolescentes quase sempre ignoram os riscos e isso pode acabar trazendo o coronavírus para dentro da minha casa”, afirma uma mãe de aluna do Ceemti João XXIII.
O percentual de contaminação nas escolas foi usado pelo secretário para demonstrar que as aulas não têm um papel decisivo para o avanço do novo coronavírus.
No último dia 13, o número de alunos e profissionais infectados no Estado foi divulgado pela Secretaria Estadual de Educação (Sedu): 648 casos da doença foram confirmados na rede pública e particular de ensino após um mês do retorno das atividades presenciais.
“0,07% de alunos e cerca de 2% de professores [percentual de contaminados dentro do total que retornaram à modalidade presencial] são percentuais que indicam que escola é um ambiente altamente perigoso e decisivo para fazer um município por exemplo passar do risco baixo e moderado e precisar ser fechado? Não, acho que fica óbvio isso diante de números estatisticamente contados”, disse de Angelo.
A decisão foi anunciada pelo governador Renato Casagrande em seu perfil no Twitter. Na publicação, ele disse que a medida foi tomada após diálogo entre o governo, sindicatos e o Ministério Público Estadual (MPES).
Vitor de Angelo explicou que a autorização não é definitiva, mas pode durar até o início do ano que vem.
“Nenhuma decisão é definitiva, mas esse é o entendimento. Não há perspectiva que mude, mas outros elementos podem fazer a gente revisitar essa questão. Por ora, alcançando até mesmo o início do ano letivo de 2021, as escolas estarão abertas sempre que o município estiver em risco baixo ou moderado”.
A medida vale para todas as escolas. De acordo com o secretário, na rede estadual, as unidades voltarão a funcionar. Já na particular, a decisão caberá a cada instituição, que pode escolher manter o ensino remoto ou não.
“Não deve ter efeito prático sobre as escolas municipais, já que elas não abriram. As particulares, que já estavam abertas e acabaram fechando, bem como as escolas públicas estaduais, poderão reabrir. Não é um decreto, é uma autorização. As nossas escolas estaduais abrirão. Nas particulares, é uma avaliação de cada uma, mas eu presumo que era esse o desejo e intenção das escolas particulares”, disse.
Sindicatos repudiam
O Sindicato dos Professores do Espírito Santo (Sinpro-ES) repudiou a decisão do Governo de autorizar as atividades presenciais novamente “diante dos inúmeros casos de contaminação no ambiente escolar”, disse.
“A indefinição permanente e a falta de fiscalização demonstra que não existe nenhuma segurança para a comunidade escolar. Essa decisão a aproximadamente 15 dias do encerramento das atividades do ano letivo, não mostra nenhuma lógica, sendo absolutamente injustificável em meio ao cenário”, diz a nota enviada pelo sindicato.
O Sindicato dos Trabalhadores na Educação Pública do Estado (Sindiupes) disse que “o governo cedeu à pressão do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe)”. (Weber Andrade com G1 Espírito Santo)










































































