Apesar de não poder ir contra o decreto estadual que proíbe a abertura de bares, o prefeito Alencar Marim, que se reuniu na semana passada com os donos de bares de Barra de São Francisco, acredita que, antes do final do mês, o Governo Estadual poderá liberar o funcionamento destes estabelecimentos no interior do Estado. Marim disse que está preocupado com o setor que agora é praticamente o único que não pode fazer atendimento presencial em Barra de São Francisco. “O índice de contaminação pela Covid-19 está praticamente sob controle no município, sem grandes sobressaltos no número de casos ou de óbitos, mas ainda não é hora de descuidar”, alerta o prefeito.
Nossa Redação tem recebido muitas reclamações de proprietários de bares, que alegam estarem sendo discriminados, já que o município autorizou o funcionamento de restaurantes, sorveterias e outros espaços de consumo de alimentos e bebidas, até as 22h. “Não entendo porque só os bares continuam proibidos”, lamenta um dono de bar no centro.
Na última sexta-feira, 3, após duas semanas, o Governo do Espírito Santo voltou atrás e revogou a regra que impedia a venda de bebida alcoólica em distribuidoras aos finais de semana. Mas manteve a proibição de consumo presencial em tanto nas distribuidoras quanto em bares, restaurantes e similares.
Ontem, 6, os donos de bares ganharam um aliado na Assembleia Legislativa. O deputado Torino Marques (PSL) fez um pronunciamento em apoio às reivindicações do Sindicato de Restaurantes, Bares e Similares do Espírito Santo (Sindbares), nesta segunda-feira, 6, pela reabertura do comércio presencial nesta área. A manifestação ocorreu durante a sessão ordinária virtual da Assembleia Legislativa (Ales).
O parlamentar ressaltou as dificuldades do setor em função do fechamento por causa da pandemia. O sindicato pleiteia uma solução junto ao governo estadual. “Eles já completaram mais de 100 dias fechados e sem quaisquer perspectivas de abertura ou plano de abertura gradual por parte do governo do estado”.
Torino lembrou que muitos restaurantes estão funcionando com horário limitado durante a semana ou com venda pelo sistema de entrega em domicílio.
“O Sindbares tem feito apelo demonstrando diariamente que são mais de 30 mil desempregados no setor. Tudo o que eles querem do governo agora é um plano de reabertura de abes e restaurantes, inclusive para os finais de semanas”, informou.
“Já são quatro mil empresas que não vão mais voltar num universo de 18 mil em todo o estado”, afirmou o deputado. Segundo ele, os bares e restaurantes pretendem abrir cumprindo as diretrizes nacionais de combate ao coronavírus, até o horário das 18 horas.
“Isso daria um suspiro na economia desses estabelecimentos que estão em total desespero. Faço meu o apelo deles para que o governo faça um planejamento de retomada das atividades com a devida segurança de circulação e também o distanciamento social”, explicou.
Ele enfatizou ainda em seu discurso o sufoco dos comerciantes. “Trabalhar com proibição por tempo indeterminado é loucura, mesmo havendo compromisso de bares e restaurante de cumprir as rigorosas regras de distanciamento, higiene e também circulação. Não podemos manter esse povo no limbo. Faço voz da carreata que eles estão promovendo na tarde desta segunda-feira reivindicando a reabertura”, finalizou.
Proposta com o governo – Reforçando o apelo do deputado do PSL, o deputado Marcelo Santos (Podemos) manifestou solidariedade a setor. Ele ponderou que há a manifestação e há, por outro lado, o controle do Estado. “O Estado tem que se pautar pelos estudos que têm em seu corpo de técnicos. Acredito que num curto espaço de tempo teremos uma flexibilização na abertura dos estabelecimentos comerciais”, baseado em estudos técnicos, disse.
Marcelo Santos informou que o Sindbares apresentou uma proposta de reabertura “muito realista, nada exagerada, uma proposta decente, coerente. Já encaminhamos essa proposta ao governo, que está a analisando tecnicamente”. O deputado lembrou que a decisão e a gerência do enfrentamento à Covid-19 são tripartites, segundo decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), cabendo também aos estados e municípios a gestão das ações.
Cidadania – Outro aspecto da reabertura dos estabelecimentos foi abordado pelo deputado Sergio Majeski (PSB). Ele repercutiu o noticiário da imprensa sobre a reabertura dos bares no Rio de Janeiro. O deputado ressalta o comportamento do cidadão e o grau de cidadania manifestado por aqueles que saíram às ruas para frequentar os estabelecimentos abertos.
Majeski cita o caso de um cidadão que fez questão de destacar que além de cidadão, era engenheiro. “Ser cidadão no Brasil não é fácil, um país no qual se você age corretamente é visto como um idiota. Naquele caso, ele pode ser engenheiro, mas cidadão realmente não é. Temos formado cada vez mais engenheiros, jornalistas, médicos, arquitetos, enfim… Mas não estamos conseguindo formar bons cidadãos. E, hoje, nós carecemos de cidadãos”, refletiu.
Para Majeski, é necessário ser perseverante na prática daquilo que considera correto. “Muitas vezes, fazer o certo é uma coisa muito difícil”, concluiu. (Weber Andrade com Webales)











































































