O fotógrafo mineiro Sebastiao Salgado, natural de Aimorés, acaba de adicionar mais um importante prêmio internacional à sua extensa coleção. Ele recebeu hoje, 20, em Frankfurt, na Alemanha, o Prêmio da Paz, que é entregue anualmente pela Federação do Comercio Livreiro alemã.
Na região do Vale do Rio Doce, a ação mais importante de Sebastião Salgado foi a criação do Instituto Terra, na Fazenda Bulcão, em Aimorés.
O Instituto, criado no ano 2000, é hoje a principal referência em educação e preservação ambiental na região, fornecendo, além de treinamento em educação ambiental, milhares de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica para projetos de reflorestamento, inclusive em Barra de São Francisco.
A cerimônia de entrega do prêmio aconteceu na imponente igreja de São Paulo, no centro de Frankfurt, decorada com duas fotografias imensas do fotógrafo brasileiro. A cerimônia contou com a presença de 700 pessoas e foi transmitida ao vivo pela TV alemã.
Sebastião Salgado é o primeiro fotógrafo a receber a recompensa, de um valor de € 25 mil, que já agraciou personalidades como Vaclav Havel, Jürgen Habermas, Susan Sontag e Margaret Atwood. Ele foi premiado por seu trabalho que promove a justiça e a paz social, além de alertar para a necessidade de preservação da natureza.
O cineasta Wim Wenders pronunciou o discurso em homenagem ao fotógrafo brasileiro. Wenders, que é alemão, conhece bem a obra de Salgado. Ele realizou o documentário “O Sal da Terra” sobre o trabalho do brasileiro, em 2014, que foi nomeado ao Oscar.
Em sua fala, Wenders ressaltou três projetos importantes de Salgado: “Trabalhadores, Êxodos e Genesis”. Segundo o cineasta alemão, “estes três trabalhos monumentais mostram as condições essenciais para a paz. Não é possível ter paz sem justiça social, trabalho, dignidade humana e respeito às belezas naturais da Terra”.
Homenagem a Lélia Wanick Salgado
Sebastião Salgado agradeceu e disse que se sente honrado em receber o prêmio. Ele fez em Frankfurt um resumo de sua vida, engajamento e 50 anos de carreira. O brasileiro se emocionou durante seu discurso e chegou a interromper a fala para enxugar suas lágrimas.
Ele disse que “passou grande parte de sua vida testemunhando o sofrimento do nosso planeta e de seus habitantes que vivem em condições cruéis e desumanas”.
“A missão de iluminar a injustiça guiou meu trabalho como fotógrafo social.”
“As minhas fotografias mostram o presente e por mais que ele seja doloroso, nós não temos o direito de desviar nosso olhar”.
Salgado dividiu e dedicou o prêmio às populações exiladas e ameaçadas que fotografa, mas principalmente à sua mulher Lélia Wanick Salgado, companheira de toda sua vida, colaboradora de todos os seus projetos. (Weber Andrade com G1)












































































