O aposentado Jailson, do Já Já Lanches, em Barra de São Francisco, teve que reinventar depois da pandemia da Covid-19. Com o comércio fechado, ele começou a trabalhar com o sistema de entregas “delivery”, cobrando uma pequena taxa e diminuiu radicalmente o preço dos sanduiches e pizzas.
Uma das promoções – três hamburgueres por R$ 10 – fez tanto sucesso que, numa sexta-feira ele produziu cerca de 300 hamburgueres e quase não deu conta de entregar todos os pedidos. Mesmo antecipando a produção, tivemos que produzir mais, na correria, porque o povo gostou tanto que os pedidos superaram a produção”, revela.
Hoje, com a volta ao “normal”, ele continua fazendo promoções de todo o seu cardápio e descobriu que, apesar de ter mais volume de produção, as vendas aumentaram muito e, com isso, osl ucros também.
O Já Já Lanches faz parte de um time de mais de 2 mil micro e pequenas empresas instaladas em Barra de São Francisco, a maioria no comércio de vestuário e alimentação. Mas, após a pandemia as empresas de prestação de serviços também tiveram crescimento.
Segundo o Sebrae/ES, as micro e pequenas empresas (MPEs), cujo dia nacional é comemorado nesta segunda-feira, 5, são responsáveis por quase 60% da geração de emprego no Espírito Santo, as MPEs têm se adaptado ao novo cenário e 72% delas já fazem uso das mídias digitais para intensificar vendas e interagir com clientes.
No caso do Já Já Lanches, o Whatsapp foi a ferramenta escolhida para receber os pedidos, mas ele também investiu na divulgação das promoções por meio de uma mídia tradicional na cidade: o carro de som, que quase toda sexta-feira é acionado para informar as promoções.
Por outro lado, a crise financeira, intensificada com a pandemia do coronavírus, levou mais de 48,5 mil projetos de pequenos negócios saíram da gaveta e se tornaram realidade.
“As empresas em 2020 estão surgindo em um novo cenário, onde quase todo o processo de venda acontece no meio digital e, aquelas que não nasceram digitais, têm adaptado seus serviços. Atualmente, 72% dos empreendimentos capixabas já fazem o uso das mídias digitais como canal de interação com o cliente e para venda. Por isso é tão importante os empreendedores se capacitarem para entender a nova dinâmica dos negócios e terem sucesso no empreendimento”, ressalta o superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo.

Impactos da Pandemia
Com a crise provocada pela Covid-19, 77% dos pequenos negócios capixabas tiveram seu faturamento reduzido. Muitos negócios precisaram adaptar e até mudar os seus serviços ou produtos para se manter no mercado. É o caso da maquiadora Thais Alvim, que diante da queda no número de clientes decidiu apostar em um outro dom: o culinário.
Economia
De acordo o Sebrae os empreendimentos capixabas que configuram Micro e Pequenas Empresas geraram mais 373 mil empregos, movimentando cerca de R$ 649,5 milhões em salários, se tornando responsável por mais de 50% dessa movimentação.
“O Sebrae tem uma preocupação muito grande com o empreendedorismo capixaba, uma vez que ele é um dos impulsionadores da economia do Estado. As Micro e Pequenas Empresas são responsáveis por quase 60% da geração de empregos em território capixaba. Nosso papel é fomentar o empreendedorismo e incentivar, por meio de consultorias, orientações, cursos, entre outras ações, os potenciais empreendedores e empreendedores ativos, além de melhorar o ambiente de negócios para quem deseja investir no Espírito Santo”, aponta Rigo.
A 7ª edição da Pesquisa de Impactos da Pandemia sobre os Pequenos Negócios também aponta que 41% das micro e pequenas empresas capixabas que possuíam trabalhadores contratados não realizou demissões e atua com uma média de três empregados. Outro dado interessante é o de endividamento, que apresentou melhora nas taxas. Atualmente, 64% dos pequenos negócios do Espírito Santo não possui dívida ou está com as contas em dia. No início da pandemia o percentual de empresários com dívidas em atraso era de 39% e esse número caiu para 36%.
Crédito
O número de empresários capixabas que tentou conseguir crédito durante a pandemia aumentou. Segundo a última pesquisa Sebrae/FGV, 57% dos entrevistados disseram ter tentado buscar crédito, o maior número desde quando a entrevista começou a ser realizada. Desses, 24% conseguiram o empréstimo, 18% estão aguardando resposta e 58% não conseguiram.
“Mesmo com toda a importância das Micro e Pequenas Empresas no cenário econômico nacional, os pequenos negócios tiveram muitas dificuldades de acessar os serviços financeiros. As linhas de crédito estavam disponíveis, mas não chegavam às empresas que precisam, poucas conseguiram empréstimos. Portanto, devemos ressaltar ainda mais a perseverança e a garra destes empreendedores que conseguiram e ainda estão buscando seu reposicionamento no mercado”, ressalta Rigo.
A dificuldade no acesso ao crédito se concentra em quatros fatores importantes: a ausência de garantias que são exigidas pelo sistema financeiro; a restrição cadastral da pessoa jurídica ou dos sócios; a falta de uma conta bancária ou da movimentação de uma conta pessoa jurídica por parte dos pequenos negócios no sistema financeiro, e a dificuldade na gestão financeira da empresa que dificulta a comprovação da liquidez do negócio.

“A soma desses fatores agravou a situação das Micro e Pequenas Empresas e favoreceu as Médias e Grandes Empresas, que geralmente têm controle de caixa apurado e já possuem lastro com o sistema financeiro, o que facilitou o acesso ao crédito dessas empresas diferentemente do pequeno negócio”, destaca a gerente de acesso ao crédito do Sebrae/ES, Alline Zanoni.
Entre as orientações do Sebrae às MPE’s está o início do relacionamento com o sistema financeiro pela empresa logo na sua abertura, e para o empresário que já está na ativa, a atenção especial à gestão financeira do negócio. “É importante que o pequeno negócio inicie a sua jornada empresarial com uma conta da empresa aberta e em movimentação e realizar o controle de fluxo de caixa do negócio, manter a documentação em dia e tomar cuidado com o endividamento para garantir um processo de financiamento bem sucedido”, ressalta Alline. (Weber Andrade com Sebrae/ES)










































































